Memória, Cotidiano e Literatura

As vísceras da sociedade

17/08/2019 - 19h24

Hoje amanheci me perguntando se estamos prontos para ver as vísceras dessa sociedade? Vivemos uma vida tão superficial, onde postamos nas redes sociais o que acabamos de comer, uma viagem, o por do sol, a família feliz do comercial de margarina, um sorriso largo, dizemos eu te amo a três por quatro, não esquecemos mais o aniversário de ninguém, ainda que o facebook tenha nos avisado. É disso que estou falando, de ver a realidade, atrás daquele prato bonito da foto, do self com a família, a viagem as vezes foi a trabalho, mas a paisagem do caminho era linda, quem é que realmente sabe o fundo da verdade em que se coloca nas redes sociais? Quando penso nas vísceras da sociedade, penso nas minhas vísceras, nas nossas vísceras, pois nós é quem compomos essa sociedade, nós é quem alimentamos as redes sociais, nós é quem damos ibope para as redes de TV, nós é que enchemos o supermercado Guanabara a cada aniversário e nós mesmos postamos fotos e charges do tumulto no “aniversário Guanabara”, então por isso estou a dias com essa reflexão martelando minha cabeça como diz uma amiga minha. Até que ponto sei como estou por dentro? Até que ponto minhas atitudes são saudáveis? Até que ponto estou tão doente como a maioria da população e não me dou conta disso?

 

São questões e questões a serem pensadas, digeridas, assumidas e expurgadas, precisamos nos livrar da inflamação da alma, dessa doença invisível, que sabemos que temos, mas não assumimos, dessa dor que sentimos e não damos conta de imaginar de onde vem, onde está o fio da meada, não buscamos a origem de nossas dores e vamos a deixando piorar a ponto de no momento em que abrimos nossas vísceras, talvez não de mais tempo de curar as mazelas, é assim que vejo o caminhar dessa sociedade a qual faço parte, não damos conta de saber as quantas andam nossas vísceras, não suportamos ver, sentir, pegar, cheirar, nos sufoca saber o tamanho da infecção, não suportamos pensar que para caminharmos para curar teremos que nos unir, que a união faz a força, que juntos poderemos evocar um grande mantra de cura e libertação, que basta ter coragem de enxergar nossas vísceras para poder saber nossa real condição, se ainda tem jeito, creio que sim, ainda há tempo, sempre há.

Coluna

Memória, Cotidiano e Literatura

ELAINE MARCELINA

Escritora, professora, historiadora, mestre em história, roteirista, colunista e produtora do Pauta Rio. Elaine também é militante do Movimento de Mulheres Negras, do Movimento Negro Unificado e Ministro a Oficina de Escrita Criativa: Meu Primeiro Livro.

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