LIA VIEIRA

Encruzilhada de Notícias

21 de março – Dia internacional de luta pela eliminação da discriminação racial

21/03/2020

Mesmo com as dores no mundo não podemos esquecer as dores das gentes.

Neste dia, ocorreu o massacre de Sharpeville, África do Sul. Uma manifestação de 2.000 pessoas, deixou mortos, 69 pessoas, a maioria jovens, que lutavam por Direitos e Justiça Social.

Neste momento de escrita e consciência, convido Semog, poeta maior, para ousar comigo:

                                           

Não olhe para mim Pensando que sou  Um negro e só. 

Olhe outra vez e veja, sou negros.

À revelia dos movimentos pró direitos humanos nos últimos 30 anos, aprofundaram-se as desigualdades, o racismo se intensificou, recrudesceu, como se uma epidemia fosse.

Como resultado da ação política do Movimento Negro, o debate acerca das relações raciais tem se modificado a ponto de forçar algumas respostas do Estado, não podemos a esta altura retroceder nesta luta.

Mesmo em condições desfavoráveis, criamos nossas ações  afirmativas e desenvolvemos nossa resistência: nos bancos escolares e na Academia, formulamos e reformulamos pensamentos, conquistas do protagonismo afro-resistência.

O deslocamento de signos provocado pelo circuito de informação, tais como: composições, roteiros, estética, slogans, gestos, modas, literatura, candidaturas, bandeiras, ritmos, ícones, ideologias, empreendedorismo afro, entre outras demarcações de territórios, são visões que investem no circuito de comunicação da diáspora negra, e que se tornou possível com a inovação eletrônica-digital e coloca em conexão cidades como: Rio de Janeiro, Salvador, São Paulo, Fortaleza, Maranhão, Kingston, Havana, New York, New Orleans, Londres, Lisboa, Dakar, Luanda, impossível nomear todos, mas pelo Brasil e o mundo muitos  focos de insurgências.

A questão principal é discutir o racismo estrutural nas sociedades contemporâneas e a acumulação de capital, que subestima nossa capacidade produtiva – eles nos olham, mas não nos veem. Desafio a ser vencido.

Na alma a inquietação em multiplicar ações, principalmente para uma juventude negra que sangra, chora e morre pela simples razão de existir. A mudança que queremos é que o Tempo, senhor da Razão, germine possibilidades de uma sociedade mais justa, mais humana, mais fraterna e com Amor.

“A vida vai a vida cai na ida. Não tem vida que passa e volta”

Ele Semog Guarda pra mim  poesias Letra Capital 2015

LIA VIEIRA

Carioca e graduada em Economia, Turismo e Letras, Lia cursou doutorado em Educação na Universidade de La Habana (Cuba)/Universidade Estácio de Sá (RJ). É escritora, pesquisadora, dirigente da Associação de Pesquisa da Cultura Afro-brasileira e militante do Movimento Negro e do Movimento de Mulheres

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