LIA VIEIRA

Encruzilhada de Notícias

1° de abril

Para quem vive na Guerra a Paz nunca existiu (Racionais MC´s)

01/04/2020

1° de abril

Para quem vive na Guerra a Paz nunca existiu (Racionais MC'S)
 

As lideranças mundiais espelham temeridade e cautela em seus pronunciamentos sobre a pandemia do coronavirus.

Pela primeira vez no Vaticano, o Papa Francisco abençoa a praça vazia de São Pedro. Na Arábia Saudita em fato também inédito o governo suspendeu a peregrinação à Caaba, Meca.

Um traço comum em todos os líderes religiosos é a palavra FÉ.

 

No Brasil, as  autoridades ao trazerem notícias sobre o Covid 19, mais parecem  emojis, para cada situação um impávido semblante.

Nas grandes metrópoles uma “Cidade Partida“. Aquilo que a analista econômica Flávia Oliveira, em recente artigo, denominou “darwinismo social“.

Sem um plano de governo inclusivo, especialmente focado para as comunidades ribeirinhas, quilombolas, povos  das florestas, comunidades rurais e nos 13 milhões ,em todo Brasil, onde vivem as Comunidades e Periferias, o risco de letalidade pelo Covid 19, é incalculável, como alertam as lideranças nacionais do Observatório das Favelas, Notícias Pretas br, Mundo Negro, Alma Preta Jornalismo, Favelistas Juntos, Movimento Odarah, nós do Pauta Rio e tantos outros analistas desta realidade.

Com o desabastecimento de água, recrudescem o  sarampo, leishmaniose e muitas outras infecções virais. Desnecessário citar a incapacidade, de um sistema de saúde que nunca atendeu a atenção primária à saúde (APS), no enfoque comunitário  e  nem dos nossos corpos negros vulnerabilizados.  As estatísticas que mitigam resultados não nos contabilizarão.

O trabalho remoto (home office) e sua inovação  é uma prática que  poucos desta comunidade referência ,dominamos.

E, são estas, poucas, que a cada dia se multiplicam e estão criando as Redes de Solidariedade e Ajuda Mútuas. Nós por Nós.

Nossas atividades laborais atingem sessenta e nove  por cento das domésticas, porteiros, motoristas de transportes, atendentes nos supermercados, agentes de saúde, agentes de seguranças e outras atividades que demandam ônibus, trens, barcas, metrôs e BRTS, a mobilidade urbana, uma ameaça diária.

O que dizer da família  monoparental e das  suas bravas guerreiras? E do aumento da violência doméstica contra as mulheres ?

Qual a situação dos idosos nas comunidades, no apregoado isolamento físico – social, numa casa com dez  moradores e três cômodos? Uma situação aterradora.

Este mesmo isolamento social, recomendado, nos priva de nossa resistência cultural tão diversa e  se transforma em clausura. Uma economia sem gente, sem Povo, não se sustenta.

Num país ora estarrecido, ora indignado, quase nunca esperançoso, recorro ao inesquecível, compositor Wilson das Neves, que em uma das últimas apresentações ao lado do  rapper Emicida, nos  sábios desafios, em devir, cantaram:

“Melhor é o Poder devolver a esse Povo a alegria/senão todo mundo vai sambar. No dia em que o morro descer e não for Carnaval”

(O dia em que o morro descer e não for Carnaval -  Wilson das Neves e Paulo César Pinheiro – 2008 )

LIA VIEIRA

Carioca e graduada em Economia, Turismo e Letras, Lia cursou doutorado em Educação na Universidade de La Habana (Cuba)/Universidade Estácio de Sá (RJ). É escritora, pesquisadora, dirigente da Associação de Pesquisa da Cultura Afro-brasileira e militante do Movimento Negro e do Movimento de Mulheres

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