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O beijo que choca mais que a morte de uma criança

27/09/2019 - 11h35

Na Bienal do Livro desse ano, tivemos um caso de censura aonde o prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, quis proibir livros da temática LGBTQ+, dizendo que isso ofendida as famílias brasileiras, e que essa literatura devia ser combatida, pois causava danos a vida das crianças. Lembrando que a HQ em questão ('Vingadores: A cruzada das crianças) só mostrava um beijo de pessoas do mesmo sexo, um afeto que é muito comum em desenhos infantis, mas por ser de pessoas do mesmo sexo ‘chocam’, e segundo ele, destroem as suas famílias.

Na semana que passou, tivemos um caso brutal de violência que efetivamente destruiu uma família. Uma criança foi alvejada por um tiro, que todas as testemunhas afirmam que saíram da arma de um agente do Estado. Ela foi a quinta criança morta em 2019, mortes destruindo famílias inteiras, e eu não vi manifestações tão efusivas de ‘defensores’ da família.

Na semana da bienal, as redes sociais foram invadidas por pessoas e lideranças, principalmente religiosas, para demonstrar seu descontentamento em relação ao beijo, mas não vi esses ‘defensores’ da família protestarem contra essa política de morte, defendida pelo governador. Hoje, Wilson Witzel suspendeu o bônus que a polícia conseguia, caso diminuísse o número de mortos, dando um claro recado de que o Estado incentiva o policial a matar. E não vi o descontentamento de quem diz que protege e é a favor da vida.

Estamos realmente em uma sociedade doente aonde um beijo, uma manifestação de afeto choca mais que a morte.

É Factual

WILL MOREIRA

Escritor, editor e produtor do Pauta Rio

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