É factual!

Quando a causa se torna um produto

17/08/2019 - 18h17

Nos dias atuais, temos a proliferação de discursos e causas em todos os âmbitos da sociedade que podem ter raiz social, de gênero, racial entre outras, e, eu acho muito interessante que pessoas enxerguem seu lugar no mundo, e do ponto aonde elas veem, que tenham uma visão mais crítica de injustiças, que até pouco tempo atrás seriam insignificantes aos olhos da maioria.

A internet como mídia independente e democrática que tínhamos, hoje nem tanto, foi o grande palco para que pessoas que não tinham voz, expressassem seu descontentamento. Esses discursos ganharam eco no coração de outras pessoas, já alguns os encararam com repulsa e um certo desdém.

Passado o tempo, essas causas acabaram ganhando a grande mídia, impulsionada pelo seu número de cliques na internet e a adesão de artistas famosos, dando ainda mais voz a essas pautas tão importantes. Então, logo, surgiram as demandas comerciais, produtos que identificassem quem fazia parte de tal grupo, e que também servissem a esse leque de pessoas que até pouco tempo estavam a margem das grandes propagandas. Um grande exemplo disso, é a causa antirracismo, onde uma das reclamações do movimento é que negros eram pouco representados na grande mídia e que as propagandas eram em sua maioria direcionada aos brancos, mesmo eles estando em minoria numérica. E aí as marcas de shampoo, roupa, bancos, cremes para pele e etc, se direcionaram para esse público percebendo a crescente demanda.

Quem essas empresas usariam para vender esses produtos? Simples, os que já falam e tem esse discurso na internet: os blogueiros e as blogueiras negros (as), homossexuais, feministas e artistas alinhados com essas causas. Essas pessoas começam a ganhar muito dinheiro e não somente isso, cada decisão dessas pessoas influentes acaba sendo pautada pelas marcas que as pagam, gerando debates e reflexões direcionadas a essas marcas que eles representam.

Nessa conjuntura, o dinheiro acaba ditando os debates, as discussões, os encontros…..

Pessoas acusando outras por racismo, machismo, homofobia, misoginia, só para conseguir visibilidade problematizando situações para conseguir novos seguidores. Com isso, o discurso e a causa acabam perdendo algo que lhe é muito caro: a credibilidade. E essas pessoas, em nome do prestígio e do dinheiro, acabam gerando discussões que afetam as pessoas, produzindo um desperdício de energia, que empregado em questões que não ajudam a quem sofre por ser oprimido, só acrescentam fama e dinheiro a quem já tem de sobra.

É Factual

WILL MOREIRA

Escritor, editor e produtor do Pauta Rio

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